Piscina e matemática: crianças brincam e aprendem na creche do ANDES-SN

Sindicato Nacional
Desenhos e pinturas feitos pelas crianças na creche do ANDES-SN (Pedro Guerreiro/ANDES-SN)
Desenhos e pinturas feitos pelas crianças na creche do ANDES-SN (Pedro Guerreiro/ANDES-SN)

Por Roberto Oliveira (ADUFS) e Mathias Rodrigues (ANDES-SN)

Enquanto quase 600 docentes discutem a luta em defesa da educação no Brasil, onde e como ficam seus filhos? Na creche preparada especialmente para o 38º Congresso do ANDES-SN, que acontece nesta semana na Universidade Federal do Pará (UFPA), em Belém (PA).

Eles desenham, pintam, brincam de massinha, veem filmes, jogam bola e até caem na piscina. Mas vai além. Brincando, também estudam matemática, raciocínio lógico e ciências sociais. Eles servem a própria comida, jogam o lixo no lixo e aprendem valores de respeito ao próximo e às diferenças. Tem cantinho da leitura e bambolê. 

Lia da Costa, professora responsável pela creche do ANDES-SN montada da sede social da Associação dos Docentes da UFPA (Adufpa), explica que a proposta de trabalho envolve atividades educativas e recreativas. Tudo é feito com diálogo. 

"A gente desenvolve todas as atividades que eles querem e agrega conteúdo. A gente se reúne com eles, estamos aqui também para atendê-los. Nós temos arte, música, cinema, educação recreativa, piscina, bola... A gente pergunta: 'o que vocês querem fazer agora?' Trabalhamos muito democraticamente, trabalhamos o respeito e tudo é conversado", conta a professora de matemática, que trabalha como pedagoga ribeirinha na Ilha de Marajó.

Segundo ela, a equipe de cinco pedagogas residentes contratada sempre busca saber o que as 11 crianças cadastradas na creche estão achando do espaço. Até agora, o retorno é positivo. 

"As crianças gostam, dizem que está sendo ótimo. A gente faz roda de conversa, pergunta o que querem fazer em cada dia. Ontem queriam trabalhar com massinha e a gente providenciou. Hoje resolveram ver filmes, ontem chegaram e foram direto pra piscina", narra Lia. 

"Nisso vamos sempre trabalhando as relações sociais, o saber esperar, o por favor,  o com licença. Cada criança trabalha com independência: eles se servem, botam o suco, jogam na lixeira, pegam o descartável para lavar e utilizar na sala de arte. Os copinhos cada um tem o seu. Não é só o trabalho aleatório de vir e se divertir, tem uma educação de base, temos materiais específicos de fração, de matemática, quebra cabeças de linguagem, estudos sociais, coisas lúdicas, mas que tem um objetivo pedagógico", completa a educadora. 

Familiares elogiam espaço
Não é a primeira vez que uma creche é montada para um Congresso do ANDES-SN. A iniciativa foi aprovada no 34º Congresso do Sindicato Nacional, realizado em Brasília (DF) em 2015, possibilitando que os familiares - principalmente as mães - participem integralmente do evento. 

Andréia Moassab, da Seção Sindical dos Docentes da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Sesunila), aprovou a creche na sede social da Adufpa, ressaltando a qualidade da alimentação. Ela destacou a relevância do espaço para a igualdade de gênero. 

"Estou achando genial a organização aqui em Belém. É um espaço agradável, pequeno, as educadoras são residentes de pedagogia, há uma diversidade de atividades para as crianças. O fato de ter a cozinheira no local é muito importante. Antes de eu vir, era uma preocupação o almoço da minha filha. O espaço incluir a alimentação é fundamental, porque os horários do congresso são variáveis. Tem almoço, lanche e janta, com alimentação saudável. Tem suco natural, batido na hora. Tem sido uma agradável surpresa", diz. 

"É fundamental haver um espaço desses no Congresso, mas estamos 100 anos atrasados. A Revolução Russa já falava sobre a responsabilidade social com as crianças. A responsabilidade não deve ser só das mães. Não ter esses espaços é uma maneira de inviabilizar a presença de mulheres nas decisões. O ideal é naturalizar esse tipo de espaço, que não seja exceção, que você não tenha que fazer uma matéria sobre isso a cada Congresso”, afirma a professora da Unila.

“E isso não apenas em espaços de militância, mas também em congressos científicos. Existem inequidades na carreira docente. Nas possibilidades da gente viajar para um evento científico e apresentar um trabalho, por exemplo. Muitas vezes decidimos não ir por conta da criança. Eu já deixei de ir. Então espero que esses espaços sejam naturalizados e que seja inconcebível não haver", finaliza Andréia. 

Ela lembra, no entanto, que ainda são necessárias melhorias. E cita a impossibilidade de troca entre delegados como um entrave, já que um problema com a filha pode tirá-la de votações importantes no Congresso. 

Arley da Costa, da Associação dos Docentes da Universidade Federal Fluminense (Aduff), elogiou a creche do 38º Congresso do ANDES-SN. O filho dele também gostou.

"O espaço facilita a atuação no congresso. Ao invés de ter que organizar toda uma estrutura em casa, deixar o filho com parentes, etc. Precisaria de ajuda de amigos ou contratar alguém para cuidar do filho. Então facilita muito a participação saber que nossos filhos estão bem cuidados, com atividades, que estão se divertindo. A creche impede o conflito entre a atuação no congresso e a relação familiar", afirma Arley. 

"O cuidado para esse evento foi bastante interessante. A divulgação da creche foi feita com antecedência. É central que haja atividades que demandem esforço físico, que as crianças gostam muito. O meu filho voltou satisfeito, adorou a piscina", relata o professor. 

Por fim, vale lembrar que além das pedagogas há uma equipe de cozinheiras e um bombeiro salva-vidas à borda da piscina. Os professores podem ficar tranquilos: seus filhos estão bem cuidados.

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