8M: mulheres protestam contra feminicídio e reforma da Previdência

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Mulheres vão às ruas no 8 de Março em Aracaju (Henrique Maynart/Sintufs)
Mulheres vão às ruas no 8 de Março em Aracaju (Henrique Maynart/Sintufs)

Março de Marielles, Laysas e Margaridas. Março contra o feminicídio, o racismo e a reforma da Previdência dos Bolsonaro. Mulheres de março; março das mulheres!

Foi com este recado que centenas de mulheres ocuparam as ruas de Aracaju na manhã desta sexta-feira (8), no Dia Internacional da Mulher. Movimentos do campo e da cidade, agricultoras, camponesas, marisqueiras, professoras, sindicalistas, trabalhadoras do telemarketing, mulheres negras, de partido político. Todas unidas pela mesma luta. A diretoria da ADUFS também marcou presença.

Elas se concentraram a partir das 9h em frente à empresa de telemarketing Alma Viva, no Bairro Industrial, zona norte de Aracaju. Mais cedo ainda, mesmo sob chuva ao amanhecer do dia, as mulheres do MTST saíram da ocupação Beatriz Nascimento, no Japãozinho, em marcha pela periferia da cidade. Do ponto de encontro, seguiram todas juntas para o INSS, com paradas na Alese e no Tribunal de Justiça.

Em pauta, a luta pela igualdade de direitos entre os gêneros e contra o feminicídio, o racismo e a reforma da Previdência. Em frente à Alese, foi entregue uma carta ao deputado estadual Iran Barbosa, do PT, por parte da mulherada, que seguiu sob sol forte na Av. Ivo do Prado para dialogar com a população aracajuana.

"Estamos aqui, mulheres de todas as clases, idades, etnias, credos, num ato unificado, pacífico, que luta pelos direitos sociais, das trabalhadoras, das minorias, é um momento de luta no Brasil e no Mundo, mas é uma luta diária, porque a gente luta pela nossa vida", explica Juliana Cordeiro, coordenadora-geral do Sintufs.

Segundo dados oficiais, 12 mulheres são vítimas de feminicídio no Brasil por dia - ou seja, uma a cada duas horas. Em 2018, houve um aumento de 12% desse tipo de crime. Vale lembrar, aliás, que os dados ainda são subnotificados, devido às dificuldades em registrar crimes como estes no país, dado o enraizamento da cultura machista. 

Elis Regina, militante do MTST, conta por que a luta contra a reforma da Previdência foi um dos eixos de luta do 8 de Março desse ano. 

"Como eu como mulher, desempregada, jovem, vou me aposentar, se minha perspectiva de emprego formal no pais é zero. Como daqui a 40 anos vou conseguir me aposentar?! As pessoas pobres serão as mais oprimidas, as trabalhadoras rurais, domésticas, por exemplo, não vão ter como aposentar. Meus pais, por exemplo", relata Elis. 

14 de Março

As placas de rua com o nome de Marielle Franco, cujo assassinato completa 1 ano no próximo dia 14, foi um dos marcos do ato. A luta e a memória da vereadora do PSOL morta a tiros no centro do Rio de Janeiro foi lembrada a todo instante. 

Sua luta em defesa das mulheres, das LGBT's, da periferia, dos direitos humanos - sua luta por igualdade e justiça. E foi justamente por justiça que clamaram as mulheres que gritavam o nome de Marielle e de seu motorista, Anderson, também vitimado. Todas ainda se perguntam: quem matou e quem mandou matar Marielle Franco?

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