ADUFS participa de palestra sobre o golpe militar de 64

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Com a presença de Romero Venâncio, ADUFS participou do debate
Com a presença de Romero Venâncio, ADUFS participou do debate "o golpe militar de 1964" (Henrique Maynart/SINTUFS)

*Com informações da CUT e do Sintufs

Dezenas de militantes sociais, defensores da democracia e representantes de sindicatos, movimentos e partidos políticos se reuniram na palestra “O golpe militar de 1964”, na última segunda (1°), no auditório da CUT. A ADUFS marcou presença com a participação do diretor acadêmico cultural, Romero Venâncio.

O principal convidado do evento foi Bosco Rollemberg, preso político durante a ditadura. À época, ele era da Ação Popular, uma das organizações políticas que resistiram ao regime. Após a redemocratização, participou de governos progressistas em Sergipe, já como militante do PC do B, partido ao qual é filiado até hoje.

Bosco relatou o pavor da tortura e falou sobre a dificuldade em manter as convicções políticas quando se está sob o terrorismo de Estado. "Difícil é manter suas convicções de projeto de mundo debaixo de porrada, tomando choque, é difícil não entrar em pânico”, conta.

“Saí destruído dos 60 dias de tortura entre junho e agosto de 1974, foi neste momento que descobrimos que Ana [sua companheira, também militante da AP] estava grávida. Aquilo me deixou muito mal. A gente se refaz, se levanta mais uma vez, recupera o fôlego, retoma os contatos, reavalia o cenário, reorganiza forças, mas não é fácil manter as convicções”, relembra Rollemberg.

Em sua opinião, a falta de punição dos crimes cometido pelo Estado na ditadura criou terreno fértil para o ressurgimento de práticas e ideias autoritárias que se vê no país hoje. Diferentemente de países como Argentina, Chile e Uruguai, o Brasil anistiou os agentes de segurança que se transformaram em assassinos, torturadores e estupradores.

“Alguns graves crimes cometidos, crimes de lesa humanidade foram cometidos neste país durante a ditadura militar e nós não passamos a limpo com o devido rigor da consciência democrática e da experiência internacional, inclusive. Nós passamos a mão, alisamos a cabeça, colocamos panos quentes, a punição dos responsáveis pelo crime de lesa humanidade foi colocada embaixo do tapete”, aponta Bosco Rollemberg.

55 anos do golpe
O debate sobre a ditadura militar no Brasil foi organizado pelas centrais sindicais (CUT, CSP-Conlutas, UGT e CTB) em parceria com as Frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo em razão dos 55 anos do golpe.

Na semana anterior, o presidente Jair Bolsonaro havia recomendado às Forças Armadas que comemorassem a data, 31 de março, mas o rechaço foi imediato. No último domingo (31), manifestações se espalharam pelo Brasil exaltando a democracia, com palavras de ordem como “ditadura nunca mais”. Até os estádios de futebol ecoaram os gritos por democracia e liberdade.

Além disso, instituições da República como o Ministério Público Federal (MFP) e a Defensoria Pública da União (DPU) emitiram comunicados contrários à “comemoração” do golpe. E mesmo uma carta apócrifa foi escrita por diplomatas brasileiros criticando a postura do presidente, já que imagem do Brasil está sendo prejudicada no exterior pelos arroubos autoritários de Bolsonaro.

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