Debate sobre ditadura reúne católicos e protestantes

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Os professores Romero Venâncio, de Filosofia, e Carlos Calvani, de Ciências da Religião (Roberto Oliveira/ADUFS)
Os professores Romero Venâncio, de Filosofia, e Carlos Calvani, de Ciências da Religião (Roberto Oliveira/ADUFS)

Um debate sobre as religiões cristãs e a ditadura militar reuniu dezenas de católicos, protestantes, pentecostais, militantes e interessados pelo tema na noite da última quarta-feira (3), no auditório do Sindipetro, centro de Aracaju.

Os professores Romero Venâncio, de Filosofia, diretor da ADUFS, e Carlos Calvani, de Ciências da Religião, também da UFS, facilitaram o debate. Marcelo Ueki, também membro da ADUFS, marcou presença. O evento foi organizado pela Insurgência/PSOL.

Carlos Calvani começou a exposição diferenciando seu entendimento sobre as religiões protestantes e pentecostais e lembrou a época da Reforma, século XVI. Depois, ele resgatou o histórico da chegada das religiões protestantes do Brasil, traçando um paralelo com os fluxos migratórios e o processo de organização do século XX.

Na segunda metade da sua fala, o professor de Ciências da Religião abordou como as vertentes protestantes se relacionaram com o golpe de 1964 e como depois foram perseguidas no período mais autoritário da ditadura militar.

Se Calvani se ateve aos protestantes, Romero Venâncio abordou o papel da Igreja Católica em pelo menos dois momentos. Primeiro, no golpe que derrubou Jango, apoiado pela cúpula da Igreja, e depois durante o endurecimento do regime, também marcado pela perseguição a freis, padres, bispos etc.

Romero lembrou de Frei Tito, mártir da Igreja Católica na luta contra a ditadura, que se suicidou em 1974, na França, após anos de tortura pelas mãos dos agentes do regime, entre eles o delegado Sergio Fleury, carrasco do Dops de São Paulo. A agonia de Tito tornou-se um marco na Instituição, que na década de 70 passou a denunciar a ditadura militar no Brasil. Ele lembrou de nomes como dom Hélder Câmara, dom Pedro Casaldáliga e frei Beto, importantes porta-vozes da democracia entre os católicos.

Após a exposição dos palestrantes, o debate foi aberto para os convidados, que participaram com perguntas e interações. Membros da Igreja Católica, de religiões protestantes, militantes políticos e sobreviventes da ditadura interviram, enriquecendo o debate e emocionando os presentes. De tão bom, o bate-papo se estendeu até depois da atividade, em clima de democracia e com um sentimento uníssono: ditadura nunca mais.

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