Mostra Egbé destaca cinema negro e descolonização do olhar

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4ª edição da mostra Egbé de cinema negro acontece no Centro Culturual de Aracaju e na UFS (Divulgação)
4ª edição da mostra Egbé de cinema negro acontece no Centro Culturual de Aracaju e na UFS (Divulgação)

Descolonizar, diz o verbete, é o ato de acabar com a colonização de um país, território ou povo. Ou ainda, no caso do cinema, do olhar. Essa é a proposta da 4ª edição da Mostra de Cinema Negro de Sergipe (Egbé), que acontece até 12 de abril na UFS e no Centro Cultural de Aracaju, com exibições diárias de filmes das 15h às 21h.

Nesta edição, a Egbé traz como tema justamente a "Descolonização do Olhar", um convite para o público conhecer o mundo por outros pontos de vista, rompendo com os olhares tradiconais do cinema.

"Essa proposta vem da ideia de desconstruir a imagem do negro do ponto de vista europeizado, que é comum ver na história do cinema mundial, bem como em diversas outras mídias. Essa ideia do negro como subalterno, animalizado, estereotipado, que tantas narrativas da história do cinema construiu", conta Luciana Oliveira, produtora da Egbé, à ADUFS.

"Nesse sentido, oferecemos ao público narrativas outras do ponto de vista do negro sobre o negro, a partir de diversos olhares, de cineastas negros de diferentes estados e países, levando em seus filmes narrativas em que a subjetividade do negro é o centro, trazendo o seu cotidiano, afetos, infância e tantas outras situações que fazem parte de nossa existência", explica

Segundo Luciana, outro importante objetivo da Egbé é estimular a produção audiovisual de Sergipe, dando aos sergipanos acesso ao cinema negro.

"O objetivo da Egbé desde a sua primeira edição é abrir uma janela em Sergipe para fazer circular os filmes do cinema negro de dentro e fora do estado. Também oferecer ao público filmes de cineastas de outros países, entre eles os países de África. Para além disso, provocar uma reflexão sobre essas narrativas."

A produtora da mostra, que também é curadora dos filmes exibidos, destaca como uma das marcas desta edição a tendência contemporânea aos filmes híbridos e futurístas. 

"Esse ano as ficções ganharam ainda mais peso, assim como os filmes híbridos. Além disso, os filmes chamados afrofuturistas, que aparecem em peso nesta edição. E a presença dos filmes africanos, que surge de uma parceria com a Mostra de Cinemas Africanos da pesquisadora Ana Camila (UFBA)", finaliza.

Ao todo, serão exibidas 60 produções na Egbé, entre curtas-metragens da seleção oficial do evento, curtas africanos e longas-metragens convidados. Entre as obras, estão os trabalhos da cineasta Everlane Moraes, homenageada nesta edição, e de estudantes da UFS, como Letícia Lima, com o filme "É proibido pisar na grama". 

Além da mostra, fazem parte do evento exposição de obras de artistas negros, feira do mangaio (feira de afroempreendedores) e apresentações musicais. A entrada é gratuita para todas as sessões e a programação completa pode ser encontrada nas páginas do Facebook e do Instagram da Egbé.

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