Cortejo e agroecologia marcam o lançamento da Marcha das Margaridas 2019

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Margaridas sergipanas marcham rumo à Praça da Democracia (Foto: Carolina Timoteo/ ADUFS)
Margaridas sergipanas marcham rumo à Praça da Democracia (Foto: Carolina Timoteo/ ADUFS)

Na última quinta-feira (04) aconteceu no auditório da ADUFS a mesa de lançamento da Marcha das Margaridas 2019, seguido de cortejo e apresentações artísticas na Praça da Democracia. 

A mesa levantou o histórico e perspectivas de luta da marcha e foi composta pela agricultora familiar Aires Nascimento (FETASE), a professora Layane dos Santos (UFS/ MMC), a marisqueira Jeunísia Vieira Dias (Movimento Marisqueiras de Sergipe), com mediação da professora Sandra Oliveira (UFS). 

Neste ano a Marcha traz como lema "Margaridas na luta por um Brasil com soberania popular, democracia, justiça, igualdade e livre de violência" e acontecerá em Brasília nos dias 13 e 14 de agosto. A perspectiva de mobilização é reunir 100 mil mulheres de 17 países pela luta da agroecologia, por uma reforma agrária e em defesa da soberania popular.

Aires Nascimento, agricultora familiar do movimento organizada pela Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado de Sergipe (FETASE) apresentou o histórico da Marcha das Margaridas. Que teve sua primeira edição nos anos 2000 com o lema "2000 razões para Marchar contra a fome, a pobreza e a violência sexista", reunindo 20 mil mulheres em Brasília para denunciar o assassinato da líder campesina Margarida Maria Alves.

Desde o seu surgimento, a Marcha vem se construindo como a maior e mais efetiva ação de luta na América Latina. Das mulheres do campo, da floresta e das águas, contra a exploração, a dominação e todas as formas de violência e em favor de igualdade, autonomia e liberdade.

“Nós somos sementes plantadas no campo da soberania e justiça social e todos os homens que se solidarizam com nossa luta, não são cravos, são margaridas” ressaltou Aires.

Agroecologia e feminismo
Layane dos Santos militante do Movimento de Mulheres Camponesas apresentou dados de sua pesquisa de doutorado com enfoque na organização das mulheres do campo no estado de Sergipe, até abril registrou-se 856 mulheres organizadas em 105 grupos. Também explicou conceitos como territorialidade e campesinato, fundamentais para se compreender a questão agrária. E lembrou: “As lutas no campo começam pelo nosso direito de morrer e ser enterrado.”

"A agroecologia é a pauta pilar, mas sem reforma agrária não existe feminismo nem agroecologia. Quem vive uma experiência de uma marcha não tem como retroceder, só lutar por um novo projeto de sociedade, é transformador!", afirmou Layane. 

A mesa finalizou com a fala de Janísia Vieira Dias, moradora de Piranduba - comunidade ribeirinha do município de estância, que denunciou a dura realidade das marisqueiras: "Eu não sei falar bonito, mas sei dizer que nós mulheres marisqueiras sofremos violência e já tivemos muitas companheiras mortas no mangue”. Organizada no Movimento de Mulheres Marisqueiras há 5 anos afirmou: “Hoje nós mulheres temos autonomia, sabemos o valor de nosso trabalho e também nos solidarizamos à luta do campo. Somos marisqueiras mas hoje somos todas Margaridas”.

Cortejo da democracia
A atividade se encerrou com um bonito cortejo pela Universidade que contou com aproximadamente 50 pessoas, seguido de apresentações artísticas na praça da democracia. 

Estiveram presentes representantes dos movimentos sociais: MST, Movimento de Mulheres Camponesas, União Brasileira de Mulheres, Movimento Camponês Popular, PEAC, Sintufs e coletivos de mulheres da Universidade que se somam à mobilização e construção da marcha no estado.

Enquanto caminhavam as Margaridas sergipanas cantavam: "Para mudar a sociedade do jeito que a gente quer, participando sem medo de ser mulher!"


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