ARTIGO
O primor da estupidez
Por Antônio Ponciano Bezerra, professor aposentado da Universidade Federal de Sergipe (UFS)*
Imagem: Portal UFS
Todas as violências que nos cercam têm o seu começo, meio e fim. Quem tem medo da violência verbal? Então, início este texto recorrendo ao sociólogo nordestino, potiguar, Jessé de Souza, analista proeminente do que, na atualidade, se denomina e se conhece como "a elite do atraso". A ela, servem "intelectuais" que exibem um currículo fantástico, mas deslizam, com facilidade, para o campo da imbecilização da sociedade e, por extensão, atingem as instituições públicas de ensino superior, tal como vem acontecendo com as universidades públicas federais, entre elas, a do Rio Grande do Sul, a de Brasília, a Federal do Rio de Janeiro e a Federal de Sergipe (UFS).
Chegamos a um estágio em que não só o brasileiro deve estudar, mas também deve ser estudado. A Universidade Federal de Sergipe, no momento atual, vem passando por críticas, a partir de factoides não conhecidos, não avaliados, não examinados. Na tentativa, pura e simples, de agredir a instituição, articulistas assumem caráter violento e agressivo, movido apenas pelo ódio, pela inveja, por temor do conheci- mento. Trata-se de "filisteus" ressentidos que sonham com o triunfo da barbárie.
São pseudoprofissionais que se envergonham do fracasso e não dão conta de que se esnobam, produzindo uma crítica que, no fundo, nada mais é do que a arrogância imortalizada pelo fabulista grego Esopo (620/564 a,C). A Universidade Federal de Sergipe tem sido atingida por arremedos de textos grotescos (até teatralizados) que deixam transparecer a mensagem que domina a clássica fábula "A raposa e as uvas", da autoria do referido escritor clássico.
É notória a existência de pessoas que, diante do fracasso e da incompetência, se envergonham e se esnobam, produzindo arranjos de textos críticos, minados de termos que expressam desdém, desvalorização, desqualificação, tal como nos ensina a clássica fábula "A raposa e as uvas", de quase três mil anos de existência. No fundo, tratava-se de um provérbio que deu corpo a uma fábula, e esta se mantém até hoje, revelando os sentimentos dos fracassados, dos incompetentes, dos desonestos. É fácil desprezar, a partir de caricaturas, de ridículas teatralizações, aliás, são nessas cenas grotescas que se estampa a má-fé.
Os arremedos críticos exibidos, em certos portais de notícias e perfis, nas redes sociais, parecem ser os únicos meios a que recorrem seus autores, aliás, uma espécie de "cata motivos", uma tábula de salvação, um asilo, de sobrevivência ou de proteção, diante das sombras do anonimato. Senhores jornalistas, senhores justiceiros beligerantes' (?!), a quem interessa agredir a Universidade Federal de Sergipe? A UFS segue soberana, conhecida, reconhecida, ao nível local, regional, nacional, internacionalmente, e seus agourentos arrotos de escrita terão o destino que merecem, isto é, o repúdio e o esquecimento que são os espaços privilegiados, ocupados por olheiros, por adeptos da pós-verdade e pelos falsos espíritos belicosos. No fundo, é de espantar que profissionais da Comunicação ou da Justiça demonstrem, solenemente, desconhecer o valor histórico, cultural e profissional da única instituição universitária pública federal do Estado de Sergipe.
Tropeçar em factoide é algo inusitado para quem se diz preocupado com a verdade, com as instituições, com o saber, com o conhecimento e com a nobreza do caráter. Por uma questão de honestidade, senhores comunicadores, o factoide espelha o mal, a má-fé. Ninguém merece seus ódios.
*Texto publicado na Jornal da Cidade na edição de 19 de março de 2026
